
Daniel MoreiraCEO da OPEN ETHOS
· 3 min de leitura
"Quanto custa um sistema?" é a primeira pergunta de quase toda conversa, e a resposta honesta é: depende do que ele precisa fazer no primeiro dia. Duas empresas do mesmo setor podem pedir "um sistema de pedidos" e precisar de coisas muito diferentes.
Em vez de um número solto, vale entender o que move o preço. Assim fica mais fácil comparar propostas e decidir o que entra na primeira versão.
O que mais pesa no custo
- Quantidade de fluxos. Cada processo completo, como um pedido que vira faturamento ou uma ordem de serviço que vira medição, soma telas, regras e testes.
- Regras e exceções. Aprovação por valor, regra por filial, desconto por tipo de cliente. Cada exceção é uma decisão que o sistema precisa saber tomar.
- Integrações. Conversar com o ERP, com o banco, com o site ou com um aplicativo exige desenvolvimento, testes e cuidado com o que acontece quando o outro sistema está fora do ar.
- Perfis de acesso. Quem vê o quê, quem aprova o quê. Quanto mais perfis, mais combinações a testar.
- Dados existentes. Migrar planilhas e sistemas antigos costuma dar mais trabalho do que parece, porque os dados raramente estão limpos.
- Onde vai rodar. Navegador, celular, sem internet em campo. Cada ambiente tem suas exigências.
O que costuma ficar de fora do orçamento
Alguns custos aparecem depois, quando não foram conversados no início:
- Hospedagem e serviços de terceiros, como banco de dados, envio de e-mail e mensagens.
- Sustentação. Ajustes, correções e pequenas melhorias depois que o sistema entra em uso.
- Treinamento e implantação. O tempo da equipe para aprender e o acompanhamento nas primeiras semanas.
- Evolução. O que a empresa vai pedir depois de usar a primeira versão, e sempre pede.
Uma proposta boa mostra esses itens separados, para que a comparação seja justa.
Como reduzir o custo sem perder o resultado
A forma mais segura de controlar o investimento é dividir o projeto. Em vez de especificar tudo de uma vez, escolha o fluxo que mais consome tempo hoje e comece por ele.
- Mapeie o processo como ele acontece, com as planilhas e os e-mails que existem no meio do caminho.
- Escolha a parte que, resolvida, devolve mais tempo à equipe.
- Defina o que essa primeira versão precisa fazer bem, e o que pode esperar.
- Coloque em uso, acompanhe e só então planeje a próxima etapa.
Esse caminho também diminui o risco: a empresa vê o sistema funcionando cedo e ajusta a direção com base no uso real, não em suposições.
Sinais de uma proposta bem feita
- Explica o que está incluído e o que não está, em linguagem de negócio.
- Divide a entrega em etapas, com o que você vai ver funcionando em cada uma.
- Deixa claro de quem é o código e os dados ao final do projeto.
- Prevê como o sistema será mantido e evoluído depois da entrega.
Desconfie de propostas que fecham preço sem entender o processo. Ou o valor está superestimado para cobrir o desconhecido, ou alguém vai pagar a diferença no meio do caminho.
Próximo passo
O orçamento fica mais preciso quando parte de um problema concreto. Se quiser, descreva o processo que mais trava a operação e montamos juntos o escopo da primeira etapa de desenvolvimento de software, com o que entra agora e o que pode esperar.
Continue lendo
Sistemas e software
Software sob medida ou sistema pronto? Como decidir
Um roteiro para decidir entre contratar um sistema pronto e desenvolver um sob medida, olhando para o processo, as integrações e o custo ao longo de alguns anos.
Daniel Moreira · · 5 min de leitura
Integrações e APIs
Integração com o ERP: o que avaliar antes de conectar sistemas
Antes de conectar o ERP ao site, ao CRM ou a um aplicativo, vale responder algumas perguntas sobre dados, frequência, falhas e responsabilidade. Elas evitam a maior parte dos problemas.
Daniel Moreira · · 3 min de leitura