Preferências de cookies

Escolha quais categorias opcionais podem ser usadas. Os cookies necessários não podem ser desligados.

OPEN ETHOS — inícioFale sobre seu projeto

Sistemas e software

Software sob medida ou sistema pronto? Como decidir

Um roteiro para decidir entre contratar um sistema pronto e desenvolver um sob medida, olhando para o processo, as integrações e o custo ao longo de alguns anos.

Daniel MoreiraCEO da OPEN ETHOS

· 5 min de leitura

A reunião costuma começar assim: a equipe comercial reclama que o CRM não mostra o que ela precisa, o financeiro mantém uma planilha paralela para fechar o mês e alguém sugere "desenvolver um sistema nosso". Outra pessoa lembra que já existem dezenas de ferramentas prontas no mercado. As duas posições fazem sentido, e é por isso que a decisão trava.

A pergunta útil é qual opção resolve o seu processo com menos risco e menos custo ao longo do tempo.

Comece pelo processo

Antes de comparar fornecedores, descreva o processo como ele acontece hoje. Do pedido à entrega, ou do chamado ao fechamento. Para cada etapa, anote quem faz, em qual ferramenta e o que se repete.

Essa lista revela duas coisas. A primeira é onde está o trabalho manual. A segunda, e mais importante para a decisão, é o quanto o seu processo se parece com o de outras empresas do setor.

Quando o processo segue o padrão do mercado, como contabilidade, folha de pagamento e emissão fiscal, um sistema pronto costuma ser a melhor escolha. Ele já incorpora regras que você não quer reinventar e é mantido por quem vive disso.

Quando o processo é o seu diferencial, a lógica se inverte. A forma como você precifica, atende ou entrega é justamente o que separa a empresa dos concorrentes. Adaptar um sistema genérico a esse processo costuma gerar planilhas paralelas, controles manuais e dependência de poucas pessoas.

Um exemplo comum

Imagine uma distribuidora que vende para redes de lojas com regras de desconto diferentes por cliente, região e volume. O CRM pronto que ela usa registra as oportunidades, mas não calcula o desconto. A equipe faz a conta numa planilha, copia o valor para o CRM e depois para o ERP.

Três coisas acontecem com o tempo. As planilhas se multiplicam, cada vendedor com a sua versão. Os erros de digitação aparecem no faturamento. E a regra de desconto, que é o coração do negócio, passa a morar na cabeça de duas pessoas.

Nesse caso, trocar de CRM pronto raramente resolve, porque o problema está na regra que nenhum produto genérico conhece. Faz mais sentido manter o ERP e construir sob medida só a parte que calcula e aprova o desconto, integrada aos dois sistemas.

Sinais de que o sob medida faz sentido

  • A equipe mantém planilhas ao lado do sistema para fazer o que ele não faz.
  • As personalizações do sistema pronto ficaram caras e travam as atualizações.
  • A mesma informação é digitada em mais de uma ferramenta.
  • O processo muda com frequência e o fornecedor não acompanha.
  • O sistema precisa conversar com vários outros, como ERP, CRM, e-commerce e aplicativos.

Sinais de que o sistema pronto resolve

  • O processo é regulado e igual ao de outras empresas.
  • A necessidade é de curto prazo ou ainda está sendo testada.
  • Não há ninguém, dentro ou fora da empresa, para acompanhar a evolução de um sistema próprio.
  • O ganho esperado não justifica um projeto de desenvolvimento.

O custo que não aparece na primeira proposta

A comparação mais comum é injusta: o valor da licença mensal de um lado e o valor do projeto do outro. O custo real aparece quando você olha para alguns anos.

No sistema pronto, entram licenças por usuário que crescem com a equipe, personalizações, integrações feitas por terceiros e, principalmente, o tempo da equipe contornando limitações. Esse último custo quase nunca entra na planilha, mas é pago todo mês.

No sob medida, entram o desenvolvimento da primeira versão, a infraestrutura, a sustentação e as melhorias ao longo do tempo. Em troca, cada nova necessidade pode ser atendida sem esperar o roteiro de um fornecedor.

Nenhum dos dois é barato ou caro por natureza. O que pesa é o encaixe com o processo.

O caminho do meio

Muitas empresas não precisam escolher. O modelo híbrido mantém um sistema pronto para o que é padrão, como fiscal e contabilidade, e constrói sob medida só a camada que diferencia a operação, conectada a ele.

Esse caminho costuma entregar valor mais rápido e com menos risco, porque o projeto fica menor e o que já funciona continua funcionando.

Erros comuns na decisão

  • Escolher pela demonstração. A apresentação do fornecedor mostra o caso ideal. Peça para ver o seu processo, com as suas exceções.
  • Subestimar as integrações. A parte mais delicada de qualquer projeto costuma ser fazer os sistemas conversarem. Mapeie isso antes de fechar qualquer opção.
  • Desenvolver tudo de uma vez. Um sistema sob medida com escopo gigante demora a entrar em uso e acumula risco. Comece pela parte que resolve o problema principal.
  • Não definir quem cuida depois. Tanto o sistema pronto quanto o próprio precisam de alguém responsável pela evolução.
  • Esquecer os dados. Garanta desde o início que os dados da operação pertencem à empresa e podem ser exportados.

Como decidir em uma reunião

Leve estas perguntas para a próxima conversa com a diretoria:

  1. Qual parte do processo é igual à de outras empresas, e qual é o nosso diferencial?
  2. Quanto tempo por semana a equipe gasta contornando a ferramenta atual?
  3. Com quais sistemas a solução precisa conversar?
  4. O que precisaria estar funcionando em três meses para o projeto valer a pena?
  5. Quem vai cuidar da evolução depois da implantação?

Se as respostas apontarem para um processo padrão e poucas integrações, procure um bom sistema pronto. Se apontarem para um diferencial importante e muitas conexões, vale estudar o sob medida, começando pequeno.

Próximo passo

A decisão fica mais simples quando parte do processo da empresa, e não da lista de funcionalidades de um fornecedor. Se quiser, descreva o processo que está travando a operação e ajudamos a avaliar o caminho, inclusive quando a melhor resposta é um sistema pronto.

Continue lendo

Inteligência artificial

Como fazer a IA responder com base nos documentos da empresa

Ferramentas de IA escrevem bem, mas não conhecem as políticas, os contratos e os procedimentos da sua empresa. Veja como resolver isso com segurança e por onde começar.

Daniel Moreira · · 4 min de leitura